A última geração que viveu o mundo analógico

Na obra de Edward Hopper, as pessoas no balcão parecem conferir seus celulares. Mas não. Uma das imagens mais conhecidas da arte do século XX, a obra Nighthawks retrata clientes completamente desconectados, perdidos em seus próprios pensamentos num restaurante na Greenwich Avenue de New York, na década de 40.

Edward Hopper, Nighthawks, 1942 óleo sobre tela, 84,1 × 152,4 cm - Art Institute of Chicago

Edward Hopper, Nighthawks, 1942
óleo sobre tela, 84,1 × 152,4 cm – Art Institute of Chicago

Existem testemunhas sobre como era a vida antes dos celulares e da internet. Pessoas que viveram no analógico e agora transitam para o digital. São seres híbridos. Diante das necessidades da hiperconexão, eles ainda resistem compartilhar sua intimidade. São hereges do Dataismo. Eles precisam manter alguma autonomia e individualidade.

Essas pessoas com mais de 40 levam uma vantagem: conseguem enfrentar melhor a solidão e o tédio. Guardarão consigo um tempo em que se podia parar e não fazer nada, se fosse conveniente.  Simplesmente, ficar ausente. Em 50 ou 60 anos, essa experiência desaparecerá com eles. Na essência, não haverá mais tempo livre. Afinal, não existe tempo livre de verdade quando você está com seu celular, ainda que desligado e no bolso.

Compartilho a tese de Michael Harris (The End of Absence: Reclaiming What We’ve Lost in a World of Constant Connection): os seres híbridos podem desenvolver um senso de realidade mais apurado, experimentado nas descobertas feitas nestes momentos de ausência, “sem nada para fazer”.

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