O deserto dos tártaros

Leio o livro de Dino Buzatti, O Deserto dos Tártaros. O personagem Drogo é um militar que passa a vida inteira em um posto avançado no deserto na expectativa de defender o país contra a invasão dos tártaros. Mas, os tártaros nunca chegam. E ele consome sua juventude emperrado na programação para algo que nunca se concretiza.

Seria como arrumar o cabelo, vestir uma roupa sexy, o perfume evanescente, a maquiagem poderosa e ninguém aparecer para te ver. Ou, esmerar-se para a balada e não sair de casa, travar na maçaneta da porta. A grande aventura está lá fora, mas a gente se permite apenas a preparação para a aventura.

Como diz o psicanalista Contardo Calligaris, “existe um lado simpático na ideologia do preparo”. É que está subentendida a ideia de que um dia viveremos uma grande aventura.

No entanto, ficar permanentemente preparado para algo nos obriga a conviver com a possibilidade de a grande aventura não acontecer, simplesmente nunca existir, como no caso dos tártaros. O extraordinário está prestes a acontecer em qualquer dia comum, desde que você entreabra a porta, abandone o quartel que te prende no deserto.

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